10 de set. de 2013

Dos desabafos que revelam as rachaduras

Começo aos poucos a entender em partes o que me estragou. Pensava, antes, que o erro de tudo, a falha do mundo, estava em não entender tudo e cada pormenor. Toda vírgula tinha que ter uma razão de ser além da “pausa para respirar”. A pausa para respirar, aliás, é um erro. Não existe a tal pausa, vocês sabem, né? Tudo é regra. Existe a sintaxe que exige a lógica, cobra o raciocínio dentro daquilo que, por vezes, é puro sentimento.
Me lembro muito bem quando comecei a ver os conteúdos do curso de Letras, quando pensei estar lá apenas pela Literatura e pela Língua Estrangeira (no caso, Francês, por motivo de Amélie Poulain) e não entender como permitiam Morfologia, Sintaxe ou Lexicologia da Língua Portuguesa. Eu achava isso o estupro da minha criatividade.
Naquele tempo, eu ainda não era tão excessivamente analítica e pouco queria saber de ser reflexiva. A mim, interessava apenas mergulhar fundo, ainda que o fundo fosse raso, e ainda que eu batesse minha cabeça com força e ficasse paraplégica. A ideia era viver o hoje e eu quase fui estúpida o suficiente para tatuar “carpe diem” em meus corpo (não seria no pé, nem no punho. Já falei que eu acho a tatuagem no pé uma das mais feias? Principalmente frases... Acho de um mal gosto... Se bem que eu tatuei meu lábio inferior, acho que não posso julgar muito, mas julgo).
Quando eu, após duras tentativas e incomensuráveis horas de estudos, entendi a lógica da língua, li os livros dos críticos literários, estudei os filósofos com os quais esbarrei na vida, me estraguei. O erro foi passar a tratar tudo como um cálculo matemático, fazendo questão da lógica, exigindo que a conta fechasse, analisando vírgulas, sujeitos e objetos. Foi com esse estudo que eu passei a desferir golpes em meus relacionamentos, porque as pessoas, amigos, elas não fazem o menor sentido.
Não digo isso para demonstrar qualquer superioridade, ao contrário, assumo o defeito de querer impor lógica à vida. Não sei quem disse por aí que “a vida não é pra ser pensada é pra ser vivida” e eu ressalto que essa pessoa tem razão. Eu pouco sei de viver a vida hoje em dia. Me preocupo muito e sempre em fazer sentido, em fazer a conta certa, com os números certos, mas eu sou uma droga em matemática.
A filosofia me estragou. Ou o mal uso dela, mas, sim, ela me estragou. É graças a ela que sempre tento entender o cerne de cada questão. Acabo por complicar tudo e todos, porque para mim, todo mundo precisa refletir muito antes de falar. Todo mundo precisa refletir para resolver todas as questões anteriores a mim, porque eu quero uma folha em branco pra mim. Não digo que não possa haver milhões de folhas escritas antes de mim, mas o MEU capítulo tem que vir em branco. Aqui está simplista demais. Perdoem minha incapacidade de traduzir o que quero dizer, porém o ponto é que após a filosofia adentrar meus poros, nada é como aparenta ser, tudo é mais complexo e profundo, e a viagem no meu barco é sempre para o alto-mar.
Os estudos literários, a semiologia, análise do discurso, me estragaram. Depois de tudo o que eu aprendi nesses cursos, eu nunca mais consegui ler apenas o texto, porque todo texto tem um subtexto e, na minha cabeça, o subtexto é o verdadeiro texto. As entrelinhas são as linhas. O velado é o real. Isso faz com que não consiga ter discussões saudáveis, porque meu cérebro trabalha automaticamente com as entrelinhas. O lado bacana é que eu dificilmente perco uma discussão, o lado ruim é que eu perco todo o resto.

Agora, com 28 anos, analisando todas as perdas, ganhos, dentes quebrados, hematomas e troféus, eu concluo que o que eu fiz de mim até hoje não foi meu melhor. Eu trabalho com o que tenho, com o que fiz, mas, se eu pudesse, faria tudo diferente. Faria tudo novo. Só não tiraria a Literatura e a Filosofia da minha porque somos uma coisa só.

13 de ago. de 2013

Ela que sabe mais de mim do que eu mesma

"Mesmo para os descrentes há a pergunta duvidosa: e depois da morte? Mesmo para os descrentes há o instante de desespero: que Deus me ajude. Neste mesmo instante estou pedindo que Deus me ajude. Estou precisando. Precisando mais do que a força humana. E estou precisando da minha própria força. Sou forte mas também sou destrutiva. Autodestrutiva. E quem é autodestrutivo também destrói os outros. Estou ferindo muita gente. E Deus tem que vir a mim, já que eu não tenho ido a Ele. Venha, Deus, venha. Mesmo que eu não mereça, venha. Ou talvez os que menos merecem precisem mais. Só uma coisa a favor de mim eu posso dizer: nunca feri de propósito. E também me dói quando percebo que feri. Mas tantos defeitos tenho. Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa. Embora amor dentro de mim eu tenha. Só que não sei usar amor: às vezes parecem farpas. Se tanto amor dentro de mim recebi e continuo inquieta e infeliz, é porque preciso que Deus venha. Venha antes que seja tarde demais." - Clarice Lispector


Me frustra não ter escrito isso, porque é como me olhar no espelho. Me alivia saber que não sou a única a me sentir assim. Me acalma constatar que a Clarice conseguiu ser conhecida e permitir com que seus textos chegassem a nós.

9 de jan. de 2013

Pro sono vir....

Quando eu disse que gostava de você, eu falava muito sério. Depois de tantas pessoas que passaram pela minha vida, depois de definir que ficaria pelo menos 1ano sozinha, depois de tudo que veio antes de você, eu me vejo completamente perdida, me sinto infantil e despreparada para lidar comigo quando estou com você.

De repente, eu me vi olhando para meu celular como se ele fosse me contar a razão da minha vida só pra esperar uma mensagem boba sua que me dissesse "bom dia" ou respondesse alguma confissão alcoolizada minha feita na noite anterior. lembrei imediatamente do filme "Ele não está tão a fim de você" e a pulga estava posta atrás da minha orelha. E se eu for a regra e não a exceção? E se ele for assim com todas? E se ele decidir que não me quer mais?

Eu piso com todo o meu pé suavemente nesse solo desconhecido. Ora parece areia movediça e quanto mais quero te esquecer, mais me afundo nas imagens de você adormecido na minha cama, entregue ao sono e a mim. Ora me sinto pisando em solo firme e macio, como você, e volto a sentir que posso ser a sua exceção.

Cuida pra eu não me assustar. Qualquer sorriso que morra antes do esperado, uma coceira impaciente, uma fala sem muito carinho pode soar como um fim pra mim. Sou boba, medrosa, insegura, eu sei. Me deixa ser assim enquanto eu não for sua, depois melhora, prometo.





3 de mai. de 2012

Quando eu tive certeza do que eu não quero ser

Hoje eu estou tremendamente cansada. Viajei seis horas de madrugada, cheguei em casa, troquei de roupa e fui trabalhar. No trabalho, eu só cuidei do meu trabalho. Fui pra faculdade e cuidei do meu crescimento acadêmico. Vim pra casa e tive a certeza de que eu não quero ser egoísta, egocêntrica, ego. As pessoas pensam demais em si próprias, não lembram do resto ou do todo. Com as redes sociais nos socializamos menos. Sinto falta de sair da faculdade, sentar no chalé, pedir um Bauru e uma cerveja e jogar conversa fora com o Miltão ou com qualquer colega ou amigo. Cantávamos músicas do Legião Urbana e Cássia Eller, descobríamos uns aos outros e um dia, depois de horas/conversa nos entedíamos por um olhar ou a ausência dele. Me lembro de um dia que um amigo de carne, osso, unha e dentes, o Ricardo, me encarou e disse: "eu sei que você não está legal. Você brinca, ri com todo mundo, mas eu sei que você não está bem" e me confortou só de me mostrar que ele estava além dos outros, ele estava em mim, quando tentava fugir de mim. Eu chorei de alegria por ter alguém assim como amigo. Não há mais pessoas assim no mundo. Ric, somos raros. Sinto falta dessa profundidade nas pessoas e nas relações. Tudo é tão complexo, raso e volátil. É culpa de quem? Eu sei que a filosofia ajuda a gente a ser menos egoísta. Penso que vivemos um período de egocêntrismo tentando nos entender. Daí nossas dores afloram, nossos pensamentos são mais densos que os dos outros e nós mediamos nosso conflito para simplesmente entender a nós mesmo e depois, se der tempo, ao mundo. Depois do Zaratustra, quando você foi além do seu animal-estar, você começa ver muito mais o lado de fora e entende o que é a empatia (essa coisa linda de enxergar o outro, o externo, o diferente). Daí você entende que possui 2 olhos, 2 ouvidos e uma boca e passa a ouvir e observar, porque o mundo sempre tem mais que nós. Então, você entende que tem muita água pra beber e matar a sede, é preciso trocar, é preciso ouvir. Se você só beber sua própria urina e seu próprio suor, seu corpo fica fraco, então busque fora de você o que vai te fortalecer. Eu não disse: encontre sua muleta em quer te quer bem. Eu disse beba quem te quer bem e dê de beber. É a partir desse aprendizado da troca e da empatia que você aprender a conviver bem só com você. Estar sozinho é doloroso para muitas pessoas, daí é preciso o iPod, o iPad, o iPhone, a televisão, o cinema, o entretenimento. Pensar sozinho é pertubador. Penso em uma pessoa que eu adoro que não pode mais falar. Me coloco em seu lugar e imagino a impossibilidade de me comunicar, de falar o que eu penso com a rapidez permitida pela minha boca e me sinto mal por abrí-la para reclamar. Se eu ainda posso falar, porque eu não falo mais coisas boas? Que mania doentia é essa de reclamar de tudo? Ou que coisa mais doentia ainda fingir que tudo é maravilhoso? A realidade é tão fraca que precisa ser piorada? Tão merda que precisa ser disfarçada? Por que se preocupar tanto com o que os outros pensam de você? Por que fazemos esse exercício de empatia apenas conosco? Sai do seu conforto! Vou rezar hoje por um mundo menos egoísta e egocêntrico. Isso ainda vai se tornar uma epidemia. Oremos por hoje.

22 de abr. de 2012

Decepção

Ela ainda vai invadir a sua praia, a sua casa, as suas roupas, o seu dia, a sua vida.

É assim: simples e avassalador.

28 de mar. de 2012

2 minutos na minha cabeça

Estou extremamente cansada.
Cachorro Grande é uma banda muito ruim e aquele vocalista, que se assemelha a um sapo, quando tenta cantar, é desafinado, senão ele grita. Valha-me Deus.
Dormir é gostoso, pena que eu só faço isso de verdade aos finais de semana.
Por que os memes viram memes?
É feio ter bichos de pelúcia no quarto aos 26 anos?
Será mais feio aos 27?
Queria poder ler quatro vezes mais do que leio hoje. O mundo é tão grande...
Reitero que Cachorro Grande é muito ruim. Aliás, o que mais tem por aí é banda ruim. E esse lance de kuduru (é assim que se escreve? Preguiça de ir atrás)? Por que?
Não entendo as pessoas que gostam de fingir ser algo pra pertencer a um grupo. Alguém que eu conheci um dia dizia "mentiu para se enturmar". Acontece muito.
Stand up é legal quando é bem feito (como tudo na vida).
Vou ao show do Joe Cocker essa semana... Espero que seja bom, porque eu detesto perder tempo na vida.
Pq o Renato Rocha virou mendigo? Entendo o cara usar drogas, mas não dava pra fazer isso ganhando cachê e curtindo um som? Sério?
Zebra, bolinhas ou oncinha? Todos são tão legais...
Dilemas da vida: Com ventilador, fica frio. Sem, fica quente.
Clarice, Charles, Machadão, Oswald, Jorge, Roberto, queria tomar uma cerveja e jogar conversa fora com todos.
Sinto muita saudade do meu avô. Queria ele de volta.
Boa noite.

7 de out. de 2011

26 de jul. de 2011

Um texto antigo

Achei esse texto perdido nos meus documentos. Foi um exercício para uma matéria da faculdade... Estava sem criatividade e peguei um texto antigo aqui do blog, remodelei e pronto!

Fenomenologia do Abandono

Li há pouco, num portal de notícias qualquer, que 65 mil maranhenses tiveram que abandonar suas casas devido à enchente que castiga o estado há dias. Eles, os 65 mil, estão desabrigados, praticando vários tipos de abandono.

Eu tenho exercido o abandono há anos! Virou quase uma oração – aquela que se faz todos os dias antes de dormir ou acordar -, ou um hobby. Abandonar projetos, pessoas, fotos, fatos, lembranças, saudades, cachorros, objetos velhos...

Abandonar é difícil, mesmo quando se sabe que abandonar é tudo que se tem. É tudo que se pode ser e oferecer naquele momento. Desde que me dou por gente, eu abandono – primeiro foi o traumático abandono do calor da barriga da minha mãe, depois o peito, então a chupeta, a mamadeira e o dedo, a fralda, os avós, o berço, o colo, a amarelinha, colegas, casas, cidades. Um longo caminho para deixar de ser o que era e me tornar o que sou.

Parece que em minha vida o verbo abandonar é tão presente quanto ser, sorrir, chorar, mudar...
Eu estou dando um tom que não é o que eu queria pra essa crônica, mas como escrevo por fluxo de consciência, dou o tom que estou, senão eu desafino.

Você ainda não sabe, mas eu abandonei a faculdade uma vez. Cursava Letras, na Unesp, e posso dizer que não era assim “uma Brastemp”, mas para minha família era melhor do que cursar o mesmo curso no Mackenzie.

Acabei entrando lá por falta de opção. Gostava de literatura, venho escrevendo diversos tipos de textos a vida toda e tenho uma necessidade saudável de ensinar, porém sempre me achei melhor do que o curso de Letras, mas pior que os demais. Então, foi assim, por uma parca identificação que nos encontramos.

No mesmo ano em que comecei o curso, percebi que não pertencia àquela estirpe hippie-universitária, mas decidi entrar na dança: comprei saias indianas, rasteirinhas e muitos brincos e anéis de côco – uma verdadeira volta ao inexistente Woodstock tupiniquim.

Me inseri entre eles e, tentando ser igual para não chamar a atenção para minha abissal discrepância ideológica (era rockeira inveterada e abominava hippies), virei o tópico de grande parte das conversas. Em pouco tempo a faculdade inteira me conhecia por atos e imagens boas na maioria (e uma minoria de coisas nem tão boas assim).

Nesse processo de inserção, abandonei minha identidade. Nada grave naquele momento, no entanto, no terceiro ano de curso, quando eu estava imersa de fato no campus, transpirando o unespiano way of life, recebo um convite para retomar um dos meus ideais – uma banda de rock. A proposta era ir para São Paulo com a banda que tinha o Kiko Zambianchi como produtor. Foi um convite para o fim da prática do abandono. Iria voltar para o lugar ao qual sempre pertenci – palcos, rock e pouco sono.

Meus pais fizeram o papel de pais e pediram para eu não desistir da Unesp. Eu fiz papel de filha adolescente e desisti. Entenda – não abandonei na época, desisti. Não por falta de coragem na época, mas por excesso. Não tive medo de ficar sem Letras e Unesp, mas medo de não aproveitar uma oportunidade única.

Descobri pouco tempo depois que abandonei, naquele dia em que decidi largar a faculdade, uma das coisas mais importantes da minha vida (importante porque, algumas vezes, tive vontade de pedir desculpas pra caixinha de decisões e retomar minha vida anterior): um estágio com um orientador fantástico e uma entre as várias opções de possíveis histórias da minha vida. No entanto, só abandonei porque tinha um sonho e nele não cabia aquela história, nem aquela faculdade.

A banda não deu certo. O sonho acabou (o que não me tornar menos inspirada para sonhar) e meu contrabaixo – eu sou/era baixista – não faz nada vibrar há quase um ano.

Demorei um bom tempo para abandonar meu orgulho e conseguir assumir em palavras toda essa estética do desperdício. É muito difícil assumir fracassos, entender as perdas e explicar o abandono.

Abandonar faz parte da extensa gama de verbos que envolvem o escolher, pois quando se escolhe algo, inevitavelmente, abandona-se outra coisa. Abandonar é fazer uma escolha com sentimento. É um ato de egoísmo sadio: nós só abandonamos quando vemos que algo não precisa mais de nós. Isso dói e com a dor, aprendo.

Abandonar faz parte do aprendizado e é um ato de bravura! Machuca abandonar... Tem de ter ou muita coragem ou muita falta dela. Eu não sei até agora se eu tive muita coragem ou pouca. Eu sei que, se eu não largasse a faculdade, o orientador, eles iam me largar - era uma questão muita séria, não tinha carnaval, nem cores, nem serpentinas; era só o salão sujo e o gosto de ressaca...
 
O abandono não é samba, nem choro. Não se pinta, não se enfeita, não se despe de nenhum sentimento. Abandonar é tristeza e alívio. É dúbio, é sinestésico. É a pele pálida de entender que ser humano é ser abandono.

8 de mai. de 2011

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH

Eu sei quem eu sou. Eu sei. Eu tenho dúvidas, muitas dúvidas, mas não sobre quem eu sou.
Ando muito triste com algumas coisas e isso tem tornado tudo muito difícil. Acabo tendo dúvidas sobre mim...

Ando mais calada sobre meu íntimo. Ando chateada... Normal falar menos sobre nós mesmos, certo?

É muita confusão mental e emocional para pouco tempo! Não dá! Me deixa!

Estou cansada de gente. Queria um pouco de silêncio, porque eu sou toda barulho, toda gritos, toda intensa - mania de querer engolir a vida de uma única vez como se eu fosse morrer no minuto seguinte.

Por exemplo, agora, um grito imenso, intenso, avassalador ecoa fundo dentro do meu peito. Daí, eu calmamente ligo o notebook, abro o navegador, entro aqui e escrevo para ver se o grito sai de mansinho de mim; se me deixa abrir a porta para eu voltar pro meu equilíbrio; se me deixa voltar a saber quem eu sou, porque de repente o chão firme virou areia movediça.

O grito não saiu. Puta que pariu! Ele não sai! Banho! Vou tomar um banho para ver se ele escoa com a aguá.

Medo de mim.

5 de mai. de 2011

Da sessão "Cartas Nunca Enviadas..."

Cuidado! A Traíra (Hoplias sp.) pode ser danosa a sua saúde.
 Pessoa mais imbecil évah,


Gostaria de lhe parabenizar pelo sucesso do uso do Combo Distúrbios Psiquiátricos! Você tem desenvolvido um incrível trabalho social ao divulgar para seus colegas e demais pessoas de seu convívio diário o que é a Psicose, a Bipolaridade, a Depressão, os Distúrbios de Humor e de Alimentação, além da indispensável e gloriosa Esquizofrenia!

Um dia eu escrevi um post em sua "homenagem" aqui nesse espaço oco que é o meu blog, mas eu o exclui. Ele deixou de fazer sentido.

Na verdade, essa carta não faz sentido já que decidi que não tenho mais laços com você. Como meus pais me criaram bem, continuarei sendo polida - o que não inclui: dar ideias para lhe ajudar no seu trabalho, fazendo com que você pareça melhor do que você é; conversar sobre amenidades; ouvir seus desabafos longos, tediosos e egocêntricos; ou aceitar suas caronas já que elas só servem para que você faça o item imediatamente anterior.

Como a maioria das pessoas desse mundo, eu não gosto de pessoas com disfunção de valores éticos. Não gosto de quem mente para ou sobre mim, de quem é artificial, de quem é lento, de quem é falso e de quem só pensa e age para obter vantagem. Não sou santa, não sou perfeita, mas sou ética. Sei que esse discurso é piegas para você que não sabe o que é isso, mas que se foda. Caguei pra sua opinião. Caguei pras suas doenças físicas e mentais.

Não vou tentar lhe prejudicar, pois você é especialista em auto-sabotagem. Não vou xingar muito no twitter, nem te deletar do meu FB (confesso que havia ocultado suas atualizações antes mesmo de saber que você era tão falsa, porque, além disso, você é desinteressante, cansativa e cita Caio Fernando Abreu de forma descontextualizada, com pontuação errada e sem saber quem ele é...)... Acho que você é "apenas um rapaz latinoamericano", não é?

Eu queria falar tanta merda pra você, mas tô com sono...

Que a terra lhe seja leve.

Ass.
R.M.N.

P.S. Conviver com você e com a pessoa-mais-maldosa-e-solitária-évah me ensinou que compaixão é um erro, que Nietzsche estava certo e que a tautologia "amigo é amigo, filho da puta é filho da puta" faz muito sentido sempre.

18 de nov. de 2010

Um conto.

Enquanto ele anda num chão esburacado, em altos e baixos e quedas; ela anda num solo duro de nuvens de um jeito suave, mas tão determinado, tão ciente de si que quase nos confunde com agressividade, mas é suavidade determinada.
Ela diz que não leva jeito com as palavras, confunde gostar com amar, casar com namorar e acha que é tudo igual. O que são palavras perto do que eu sinto?
Ele fica puto. grita, xinga, manda se fuder e pede perdão. Ela ganha sempre.
Ela sempre vai ganhar, porque ele rasgou seu peito com as próprias unhas só para ela ver seu coração batendo. Porque ele, quando fala difícil, tenta disfarçar suas fraquezas. Porque ele é fraco. Ela, não. Ela tem aquele jeito doce que dá vontade de morder e matar e morrer por ela.
Ela vai sempre levá-lo no bico. Ela vai sempre bebê-lo como água. Ele terá que mastigá-la muito para tentar engolí-la. Ele só pensa. Pensa e chora. Pena e implora para ela o perdoar, porque ele foi grosso. Mas não era ela quem tinha errado primeiro? Não sei mais! Foda-se quem errou. Eu quero ela, eu amo ela, eu preciso dela pra ser mais eu.
Eu me encontrei no peito dela. Eu durmo bem quando ela está comigo. Quando a respiração dela canta nos meus ouvidos. Quando o calor do corpo dela me faz suar.
Ela constrói a ponte que leva esse corpo sadio, mas cansado pra lá. É ela quem constrói a ponte. Ela nem sabe que faz isso. Ele nunca vai confessar que ela constrói o caminho pra ele pisar firme, porque ela é segurança. Ela é. Ele sente.

Meu mundo ficaria completo (com você).

22 de out. de 2010

Apenas mais um post de...

"Como quando alguém entra na sua vida e metade de você diz: 'Você não está preparada.' Mas a outra metade diz: 'torne-o seu para sempre.'"

Num filme mediano com o vampirinho do crepúsculo, eu li essa fala. Chorei com o filme. Chorei com a minha semana. Chorei muito nos últimos tempos.

4 de set. de 2010

Mais um sentimento que eu não sei sentir

Há pouco tempo contei que eu não sei sentir saudade. Realmente não sei. Não sei sentir isso porque eu preciso engolir a vida, o mundo e as pessoas tudo de uma vez e eu detesto ter que fazê-lo de forma comedida.
Assumo há tão pouco tempo a minha falta de manejo para lidar com um sentimento tão comum, porque eu era um tanto cega para ele.

Eu sempre achei o ciúmes totalmente venenoso, pois ele nunca vem sozinho. Se você sente ciúmes, você prepara um coquetel de sentimentos, mas não é um coquetel qualquer, é um coquetel à base de insegurança.

Sou uma das pessoas mais inseguras que eu conheço e já conheci (e que se foda se irão me julgar fraca e manca por essa assunção).

Sou extremamente frágil e não é de graça que eu tenho uma tatuagem escrita "Frágil" e "Impulso" - Eu me quebro fácil. A única diferença entre mim e uma outra frágil qualquer, é que eu disfarço minha fragilidade com arrogância. Assumo um olhar austero, sem brilho, uma respiração pausada e uma temperatura corporalbaixa, controlada. Por dentro, estou com a garganta dolorida por conta da minha semicontrolável vontade de chorar.

Eu choro muito e sempre, mas proporciono períodos de seca ao meu canal lacrimal (que não dura tanto).

Por uma besteira qualquer, minha fragilidade se mostrou maior que a minha vontade de falseá-la - já automatizada pelos anos de prática - e eu me senti pequena e indefesa contra mim mesmo.

Por uma besteira qualquer, meus sentimentos começaram a atacar meus próprios sentimentos.
Hoje já não era um dia bom. Achei 3 estrelas no céu de São Paulo hoje e senti que era um sinal de sorte - mania de ser feliz.

Enfim, tomei meu coquetel de ciúmes e torço para que me corpo consiga expeli-lo o quanto antes, mas a insegurança e a saudade fazem com que o coquetel penetre completamente e fundo em minhas veias.

Não, não tenho vontade de chorar. Seria uma desonestidade com minha arrogância. Vou me manter chateada e quieta até passar.

Amanhã viajo a trabalho e terei um dia para evitar esse assuntos e me abster do coquetel. Tarefa difícil é me livrar da saudade e do medo que eu tenho de ele partir.

Me torno menor com esse post? Me torno infantil? Não sei... Ao menos tornei sincera.

13 de jul. de 2010

Aquilo que eu não sei sentir

Crise. Acordei em crise hj.
Coisa estranha. Coisa difícil de sentir. Difícil, não na concepção de coisa rara, mas naquela de coisa complicada... É isso mesmo o que eu quero dizer? Sei lá...
Sei que acordei me sentido metade. Acordei sentindo que muito pouco, ou quase nada, importa pra mim.
Quis vir ao trabalho cedo, porque o trabalho anula minha vida pessoal - até alguém me perguntar dela e eu correr para o meu blog pra dar um grito, buscando aliviar o peito, a mente e os dedos.

Preciso sentir de tudo. Eu sou muito intensa... Só eu sei o quanto eu sou intensa... Eu não sei entrar com as pontas dos dedos dos pés. Eu mergulho de cabeça e acho natural o choque de cada queda. (Não que eu goste de todas as quedas e suas consequências, mas eu as entendo bem e até concordo com elas).

Um pedido de socorro: eu não sei sentir saudade.
Eu não nasci pra esse tipo de coisa... Preciso correr pra minha cidade Natal, porque a saudade é grande e o sentimento de solidão também.

Sinto meus dedos e braços relaxarem... Confessei a saudade... Uma saudade tão igual e distinta das outras que eu já senti...

Vou voltar ao trabalho nesse Dia Mundial do Rock. Me sinto menos pesada e com nada resolvido.

7 de jul. de 2010

Espelho

Imagem distorcida pela minha cabeça confusa.

Alguém quer me dar um Vale-Freud? Obrigada.

23 de jun. de 2010

Eu tive medo

Hoje eu posso dizer que eu realmente tive medo. Tremi, suei e chorei ao pensar que eu poderia perder uma das pessoas que eu mais amo na minha vida.

"Está tudo bem com ele", me disseram, mas eu queria estar lá. Queria que ele me visse e ficasse tranquilo. Queria vê-lo e ficar tranquila.

Hoje eu não durmo, mal como e mal respiro, porque eu preciso saber se ele vai estar bem.

Amo muito e sempre e a vida me prova que é o mínimo que eu devo e posso fazer...

Se eu te perder, eu me perco e eu só soube disso hoje. De verdade mesmo, só hoje, pois antes tudo não passava de mero achismo.

17 de jun. de 2010

Um post de aniversário (de novo)

No dia 14 de Junho, eu fiz 25 anos.

Não postei nada no dia, porque ele foi movimentado demais, pois caiu numa segunda-feira e eu tive prova de Literatura Portuguesa III e depois tive que trabalhar.
O lado bom de fazer 25 anos continuam sendo os presentes. O lado ruim, desde que eu fiz 22 anos, passou a ser "ficar mais velha". Não quero que ninguém se ofenda com o meu ficar mais velha, pois digo isso baseada apenas em minha experiência.
Fiz essa ressalva, porque muitas pessoas se mostraram indignadas com o fato de eu achar que estou envelhecendo - e aniversariar não é isso? Por acaso eu rejuveneço a cada aniversário? Eu sou o Benjamin Burton e não sei? Acho que não, né? Acho que posso dizer que envelheço do baixo de meus 25 anos, enquanto, você, do alto dos seus mais de 25, se sente hiper idoso a cada respiração!

Foi um aniversário excepcionalmente bom. Não tive festa, mas recebi ligações, e-mail, scraps e tweets muito bacanas, porque muito carinhosos. Ganhei uma melissa linda (que machuca o pé) e tive muiiiiito carinho do meu namorado!
Além disso, recebi mimos virtuais do meu querido Leandro (um novo amigo muito engraçado); o primeiro parabéns do trabalho foi do Julio Cesar (um carioca bala na agulha); um sms de uma amiga linda que eu morro de saudades, me fez querer vê-la imediatamente... O pessoal do meu trabalho foi lindo! Eles que me deram a melissinha linda! Todos muito queridos!

Meu irmão foi o último do dia a me ligar, enquanto os meus pais foram os primeiros, mas a ordem dos fatores não altera o produto.

Adorei a simplicidade desse aniversário. Eu realmente me chateio com com o fato de que todos nós iremos envelhecer. Às vezes eu queria ser eterna, pois somente com a eternidade eu teria a chance de vencer todos os meus medos, conhecer todas as cidades do mundo, aprender pelo menos mais o japonês e o alemão (adoraria ler Nietzsche original) e ter meu francês, inglês e espanhol fluentes! Poderia ler todos os livros do mundo que eu tivesse vontade, porque eu teria a garantia temporal para tudo!

Veria o mundo evoluir, ficaria horrorizada com as repetições da moda. Na verdade, ficaria horrorizado com a repetição do mundo, porque tudo é muito cíclico mesmo. Eu já vi a moda de hoje nos 80 fácil, mas isso é divertido. Adoro releituras.

Dei uma licença saúde para os meus CDs do Rancid e do NOFX, porque meu lance tem sido Bob Dylan.

Cansei de escrever por hoje. Volto amanhã ou depois!

Agora vou preparar minha mala e meu coraçãozinho (vou ver meu pai, meu cachorro e meus amigos) para um final de semana prometedor!

29 de mai. de 2010

Eu sinto sua falta todos os dias

Estou aqui, num dos finais de semanas mais solitários dos últimos tempos, assistindo a um filme que se chama "Estão todos bem".

Ainda estou no começo do filme, mas resolvi pará-lo para escrever aqui, porque é assim que eu funciono. Se a emoção me inunda, eu deságuo aqui.

O filme conta a história de um pai que esperava todos os filhos para um final de semana, mas todos cancelaram a vinda - por conta das vidas muito atribuladas - de última hora.

Eu chorei baldes com isso. Chorei porque eu moro longe dos meus pais e sou a pessoa que mais cancela as visitas por conta de uma vida atribulada.

Eles sempre me entendem, eles sempre me dão força e eu sempre fico bem comigo, pois sinto que, como eles realmente compreendem que levo uma vida um pouco cansativa, não preciso ficar com peso na consciência. Fiquei agora. Fiquei ao ver essa cena de um pai triste porque os filhos não vêm.


Eu falo diariamente com a minha mãe, o que me aproxima muito dela. Fora isso, eu nunca tive muitos problemas com ela. A gente sempre se deu e sempre fomos carinhosas uma com a outra.

Com meu pai a coisa sempre foi diferente: brigávamos diariamente, ele queria que eu fizesse coisas que eu não queria fazer, queria que eu estudasse, quando eu queria sair, obrigava a comer comidas que eu detesto e outras coisas a mais.


Depois que eu saí de casa, passei a valorizar mais minha família e a me dar melhor com meu pai. Ele se tornou uma outra pessoa. Ele é tão dócil e carinhoso comigo agora... Justo agora, que ficou mais fácil amá-lo, eu o vejo menos e o faço para priorizar a faculdade, o trabalho, o namoro, mas acho que ele vale muito mais a pena, sabe?


Hoje, ao invés de eu estar aqui em casa, lendo os livros para a minha Iniciação Científica, eu queria estar com ele, mesmo que ele estivesse dormindo, eu só queria estar por perto, poder ouvir o ronco dele, poder acordar ouvindo ele tagarelar na cozinha. Coisas assim... fáceis, triviais.


Às vezes, eu queria voltar no tempo e fazer escolhas diferentes. Não tenho muita certeza se as coisas valeram a pena... Eu lamento muitas coisas e não devia ser assim.

Acho que com 24 anos, deveria carregar menos peso no meu coração. Deveria ser mais tranquila e bem resolvida, mas a saudade que eu sinto de toda a minha família é foda.


É foda ter a mãe no Rio de Janeiro, o pai, o irmão e o cachorro no interior de SP, sendo que os 4 estão a cerca de 6 horas de mim. Eu quase não falo com meu pai, pois nós dois temos pouca grana pra ficarmos nos ligando e não usamos recursos como skype e msn. Isso só agrava a saudade que eu sinto dele e de falar com ele.

Sinto falta até dos esporros! Que merda isso!


Minha mãe sabe o quanto eu a amo e sinto a falta dela, mas meu pai não sabe. Acho que meu pai nem imagina, mas eu penso nele todos os dias sem falta e de forma, muitas vezes, involuntária. É um ato instintivo do meu coração pensar nele e na minha mãe e no meu irmão.


As pessoas acham que eu sou um monolito. Pensam que eu sou inabalável, porque sou muito enérgica, tenho uma personalidade forte, falo palavrões pacas, e me imponho sempre que julgo necessário, mas, na verdade, sou frágil e impulsiva - como registra a minha tatuagem no pulso. Tenho medo de errar, tenho medo de decepcionar meus pais, tenho medo de fazê-los sofrer, tenho medo de que eles se sintam sozinhos, porque não estão sozinhos! Eu penso neles sempre!


Essa coisa de passar o dia lendo, sem falar com ninguém deixa a gente mais emotiva.


Desculpem-me pelo desabafo, mas eu precisava falar isso: pai, sinto sua falta todos os dias e tenho registrado em minha memória a sua imagem dormindo na minha sacada! Foi um dos meus melhores dias em São Paulo. Acho que foi um dos meus melhores dias, porque a sua presença aqui humanizou a cidade, deixou-a mais riopretense, mais "lar" que "casa".


Amo tanto que não caibo em mim e transbordo nesse blog. Mas não pego o telefone pra ligar... Vai me entender...

20 de abr. de 2010

O dia em que eu conheci o André Abujamra

Eu nunca fui do tipo que foi de tietar. Nunca mesmo.

Tietei duas vezes na minha vida: quando eu conheci o Paulo Barnabé (baterista e vocalista do Patife Band) e hoje, quando eu conheci o André Abujamra.

Acho que essas duas pessoas valem a pena.

Eu mal havia começado a almoçar no restaurante da Globo, quando eu me deparo com o André comendo lá.

Fiquei incontrolável! Queria falar com ele, saber se ele é legal. Nós, mortais, sempre queremos ter a certeza de que aquela pessoa, alvo de nossa admiração, é legal.

Peraí: Vocês sabem quem é o André Abujamra? Ele é um artista de verdade. Ele é multinstrumentista, compõe músicas e trilhas sonoras para filmes e programas (não que trilha sonora não seja música, vcs entendem, né?), atua e dirige. Puta cara talentoso.

Além disso, o André é mutíssimo simpático, o que me deixou hiper feliz, porque eu morro de orgulho de pessoas talentosas e legais. Morro de orgulho de admirar as pessoas "certas". Ia ser muito frustrante pedir para tirar essa foto:

e ser mal recebida.

Eu estava num dia de merda hoje, mas um puta dia ruim. A vida me sorriu e me permitiu trombar um cara que eu curto o trabalho.
Morri de vontade de pedir pra ele cantar "Juvenar", mas, no meio do almoço (meu, não dele), isso seria um tanto inapropriado.

De quebra, ainda pude assistir à execução da música "Imaginação", do álbum Mafaro - que é genial, diga-se de passagem -, que irá ao ar no Programa do Jô dessa semana.

Adorei.

Depois eu posto a foto que eu e meu irmão tiramos com o Paulo Barnabé e conto uma história sobre tietar artistas undergrounds de verdade! hehehe

Pra quem quiser conhecer mais, fica a dica: www.myspace.com/andreabujamra

18 de abr. de 2010

De repente eu percebo que eu estou mais debilitada que a minha bisavó que fará 96 anos em alguns dias.

Eu fiz uns 5 minutos de um exercício (meio puxado, confesso, mas foram só 5 minutos!!!) e estou toda dolorida... Ridículo...
Além disso, estou com dor de cabeça diária, dor no dedão da mão direita, afta na bochecha esquerda, dor na lombar, dor nos ombros, dor de estômago... Envelheci uns 30 anos na última semana.

Essa vida de comer mal, dormir pouco e mal, ter que estudar, trabalhar e suportar o trânsito da capital paulista está me matando.

Socorro: preciso de um dia com mais horas, de horas mais bem utilizadas, de usos mais necessários, de necessidades mais justificáveis, de menos justificativas. Detesto me justificar.

Preciso de um travesseiro novo, de um cérebro menos de gasto e de dinheiro. Basta.